Em Turpan, o verde do oásis surge cercado por calor extremo e terreno árido, mas parte da explicação corre longe dos olhos. Sob a superfície, os karez conduzem água por gravidade desde áreas mais altas até campos e povoados. Essa engenharia ajudou a sustentar a vida na bacia e ainda molda a relação da cidade com água, agricultura e turismo.

Como os karez sustentam Turpan no deserto?

Os karez formam uma rede de captação e condução de água adaptada ao clima seco da Bacia de Turpan. Segundo a UNESCO, o sistema reúne canais subterrâneos, poços verticais, canais abertos e pequenos reservatórios. A água percorre os túneis sem depender de bombeamento mecânico. Esse desenho aproveita uma paisagem marcada por forte desnível entre as montanhas e a depressão onde o oásis se desenvolveu.

Essa estrutura reduz perdas por evaporação e protege o fluxo contra areia e contaminação superficial. A documentação da UNESCO registra mais de 1.100 conjuntos na região e um total histórico superior a 5.000 km. Por isso, o sistema ajudou a irrigar áreas agrícolas e a sustentar assentamentos em um ambiente de calor intenso e pouca chuva. A água subterrânea tornou possível manter cultivos onde a exposição direta ao sol aceleraria as perdas.

🏛️ Século 14: A ICID situa nesse período a construção histórica dos karez reconhecidos.

🌿 2008: Os Karez Wells entram na Lista Indicativa do Patrimônio Mundial da UNESCO.

🚀 2024: Os Turpan Karezes recebem reconhecimento internacional como estrutura histórica de irrigação.

Por que a água corre sem bombas?

Turpan preserva estruturas do sistema Karez usadas para transportar água // Créditos: depositphotos.com / kusabi

A resposta está no relevo. As montanhas ao norte ficam muito acima da bacia, permitindo que a água subterrânea siga o declive por gravidade. O Governo de Xinjiang descreve os karez como uma obra hidráulica que aproveita essa diferença de altitude sem usar energia para impulsionar o fluxo. A água do degelo infiltra no terreno e encontra caminhos subterrâneos até zonas mais baixas.

Os poços verticais servem para escavação, retirada de sedimentos, ventilação e manutenção dos túneis. Enquanto isso, o canal subterrâneo conduz a água até a saída, conhecida como “boca do dragão”. Depois, ela segue por canais abertos e reservatórios. O desenho evita exposição prolongada ao calor, um detalhe essencial para preservar água em uma das áreas mais quentes e secas da China. A sucessão de poços também permite acompanhar o traçado da obra a partir da superfície.

O que ainda existe sob o oásis?

O sistema continua presente, mas seus números atuais são menores que os registros históricos. O Governo de Xinjiang informa 1.108 karez existentes em Turpan, com mais de 3.200 km de canais subterrâneos. O volume anual de escoamento chega a 114 milhões de metros cúbicos. A informação ajuda a separar o tamanho preservado atualmente do total histórico apresentado pela UNESCO.

A mesma fonte afirma que o exemplar preservado mais antigo foi construído há mais de 600 anos, no início da dinastia Ming. Em 2024, a Comissão Internacional de Irrigação e Drenagem, ICID reconheceu os Turpan Karezes como estrutura histórica de irrigação. A instituição registra quase 190 sistemas ainda operacionais, responsáveis por irrigar cerca de 6.700 hectares. Essa permanência transforma uma tecnologia histórica em infraestrutura ainda ligada à produção agrícola local.

Como conhecer os karez e Turpan?

O visitante encontra os karez integrados aos roteiros culturais da cidade. Uma rota oficial de Xinjiang inclui o Karez Paradise e também passa por Montanhas Flamejantes, Gaochang, Vale das Uvas e Museu de Turpan. Assim, a engenharia subterrânea aparece ligada à paisagem, à agricultura e à história regional. A sequência permite comparar o ambiente seco com áreas cultivadas alimentadas por água conduzida pelo território.

Para quem parte de Urumqi, a ferrovia facilita o acesso ao oásis. O governo municipal da capital de Xinjiang informa viagens de trem com cerca de 53 minutos até Turpan Norte. No destino, vale reservar tempo para observar como o contraste entre áreas áridas e zonas cultivadas ajuda a entender a importância histórica da água. A própria rota oficial combina patrimônio, relevo e agricultura, três elementos que explicam a identidade visual de Turpan.

Parada

O que observar

Karez

Poços verticais, canais e a lógica de condução subterrânea da água.

Oásis

Contraste entre terreno árido, áreas irrigadas e cultivo de uvas.

Quando a água desenha a cidade

Turpan mostra como uma solução hidráulica pode atravessar séculos e continuar legível na paisagem. Os karez não explicam sozinhos toda a vida do oásis, mas revelam como relevo, água e trabalho humano se conectaram. Hoje, a rede ainda irriga terras e preserva uma memória técnica rara, mesmo com extensão menor que o registro histórico disponível. Se você gosta de lugares onde engenharia e geografia contam a mesma história, eu incluiria Turpan no roteiro para entender o oásis além da superfície.

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