O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou, nesta sexta-feira (16), novas regras para combater a disseminação de fake news em canais de WhatsApp utilizados durante campanhas eleitorais . A decisão determina critérios para identificar canais vinculados oficialmente a candidatos e prevê a retirada desses espaços do ar em casos de irregularidades repetidas. A mudança foi aprovada por unanimidade pelos sete ministros do tribunal e altera a resolução que regulamenta a propaganda eleitoral no Brasil. A proposta foi relatada pelo vice-presidente da Corte, André Mendonça, após discussões conduzidas pelo presidente, Kassio Nunes Marques. Com a decisão, canais que utilizam recursos ou recebem apoio das equipes de campanha deverão ser registrados na Justiça Eleitoral. Os administradores e as candidaturas também terão a obrigação de zelar pela legalidade das publicações. A medida ocorre a nove dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, e após uma disputa judicial envolvendo canais de apoio aos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Quais são as novas regras para canais no WhatsApp? O TSE estabeleceu seis critérios para determinar quando um canal de WhatsApp está oficialmente vinculado a uma campanha eleitoral. Entre eles estão o uso de dinheiro, funcionários, materiais ou suporte tecnológico fornecido pelas candidaturas. Também será considerado o compartilhamento habitual de conteúdos produzidos ou cedidos pela campanha, a divulgação do link do canal em perfis oficiais e a existência de ações coordenadas para direcionar seguidores. Outro critério é a orientação das equipes eleitorais sobre o que deve ser publicado, a frequência das mensagens ou as metas de mobilização dos participantes. Segundo a resolução, basta que um desses critérios seja comprovado para que o canal possa ser considerado vinculado à candidatura. Essa ligação, porém, precisa ser demonstrada por elementos objetivos. Isso significa que canais criados espontaneamente por apoiadores não precisarão ser registrados apenas por divulgar conteúdos favoráveis a um candidato. O tribunal também estabeleceu que uma menção isolada feita por um político a determinado canal, durante entrevistas ou debates, não será suficiente para comprovar a ligação. A participação eventual de candidatos em publicações, sem pagamento ou colaboração habitual, também permanece permitida. Nos espaços oficialmente vinculados às campanhas, fica proibida a divulgação de materiais fabricados, manipulados ou descontextualizados que possam prejudicar a integridade das eleições. Se houver descumprimento reiterado das regras, a Justiça Eleitoral poderá determinar a suspensão do canal e investigar a responsabilidade dos envolvidos. Entenda a polêmica envolvendo os canais do WhatsApp A mudança ocorre após uma sequência de decisões conflitantes envolvendo o canal "Exército do Lula", administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que reúne mais de 4 milhões de seguidores no WhatsApp. A campanha de Flávio Bolsonaro acionou o TSE sob a alegação de que o espaço estava sendo utilizado para disseminar informações falsas contra o candidato do PL. No domingo (11), Kassio Nunes Marques determinou a suspensão do canal . A decisão foi revertida pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, que considerou insuficientes as provas apresentadas para justificar o bloqueio. Posteriormente, Nunes Marques voltou a restringir o funcionamento do canal e condicionou sua retomada ao registro oficial na Justiça Eleitoral. Segundo a Folha de S.Paulo, a campanha de Lula realizou o cadastramento na terça-feira (13), embora tenha sustentado que o canal era uma iniciativa independente de Janones. Um relatório da equipe técnica do próprio TSE não encontrou, nas publicações analisadas entre 2 e 11 de outubro, as informações falsas apontadas na denúncia. A análise, porém, identificou mensagens apagadas ou editadas e não conseguiu examinar integralmente o conteúdo de alguns vídeos. O impasse levou os ministros a discutirem critérios mais claros para diferenciar canais oficiais de campanhas daqueles administrados de maneira independente por apoiadores. TSE também cobrou medidas do WhatsApp Na quinta-feira (15), um dia antes da aprovação das novas regras, Kassio Nunes Marques e André Mendonça se reuniram com representantes da Meta, responsável pelo WhatsApp, Instagram e Facebook. O encontro discutiu o uso de inteligência artificial nas plataformas durante as eleições e a preservação de informações publicadas em canais de WhatsApp. Segundo o TSE, a Meta informou que as mensagens publicadas nos canais não possuem criptografia de ponta a ponta , proteção utilizada nas conversas privadas do aplicativo. A companhia também afirmou que preservará metadados de publicações feitas em canais utilizados para campanhas e envolvidos em processos eleitorais. Essas informações poderão ser fornecidas à Justiça mediante ordem judicial. A medida amplia a possibilidade de investigação sobre conteúdos divulgados nesses espaços, especialmente quando houver suspeitas de propaganda irregular ou disseminação de desinformação. Veja também no Canaltech : Como funciona o software das urnas eletrônicas?

TSE aperta cerco contra fake news em campanhas com novas regras para canais no WhatsApp
TSE aperta cerco contra fake news em campanhas com novas regras para canais no WhatsApp · Imagem: Source: canaltech.com.br
TSE aperta cerco contra fake news em campanhas com novas regras para canais no WhatsApp
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Tribunaal Superior Eleitoral - TSE
Tribunaal Superior Eleitoral - TSE · Imagem: Reprodução/Marcelo Camargo/Agência Brasil