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A Microsoft quer transformar o Windows 11 em uma plataforma capaz de executar agentes de inteligência artificial para realizar tarefas pelos usuários. A estratégia combina processamento local e serviços em nuvem para adaptar o sistema a uma nova forma de usar computadores.

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Apresentada em um evento sobre Windows e dispositivos Surface, a proposta também busca atrair desenvolvedores e criadores. Mas as demonstrações ainda deixaram dúvidas sobre os benefícios para quem usa o computador em atividades cotidianas.

A aposta em agentes de IA e processamento local busca preparar o Windows para uma nova forma de usar computadores. – Imagem: Saulo Ferreira Angelo / Shutterstock

Menos nuvem, mais processamento local

A chamada inteligência híbrida permite combinar modelos de IA instalados no computador com serviços em nuvem. A ideia é executar determinadas tarefas localmente e reduzir gastos com processamento externo.

Durante o evento, a Microsoft mostrou o GitHub Copilot realizando tarefas de programação no próprio dispositivo. Também apresentou modelos que podem rodar localmente, agentes como OpenClaw, Hermes e Perplexity e uma integração mais profunda do Copilot ao Windows.

O CEO da empresa, Satya Nadella, destacou a mudança de perspectiva. “Acho que hoje é o dia em que começaremos a falar e pensar no ecossistema de fronteira com contornos talvez um pouco diferentes”, comentou.

As demonstrações, porém, não convenceram plenamente. Faltaram exemplos concretos de como os modelos locais podem ajudar quem não desenvolve sistemas de IA. Por enquanto, a Microsoft parece concentrar esforços em conquistar justamente esse público especializado.

Surface Laptop Ultra mira desenvolvedores

Para atrair profissionais que precisam executar modelos grandes, a empresa apresentou o Surface Laptop Ultra, equipado com chips Nvidia RTX Spark. O computador pode rodar localmente modelos com mais de 120 bilhões de parâmetros.

Nós o desenvolvemos para desenvolvedores e criadores que exigem o máximo de desempenho e desejam portabilidade com acabamento excepcional.

Pavan Davuluri, executivo responsável pelo Windows, durante evento.

O preço limita o alcance da máquina. O Surface Laptop Ultra começa em US$ 2.599 (cerca de R$ 13.515), enquanto alguns computadores com RTX Spark podem chegar a US$ 6.999 (aproximadamente R$ 36.395). Asus, Dell, HP, Lenovo e MSI também oferecem equipamentos com essa plataforma.
Para quem trabalha intensamente com IA, o investimento pode compensar se reduzir significativamente os gastos com processamento em nuvem. Para o consumidor comum, é mais difícil justificar esse custo sem vantagens práticas claras.
A Microsoft ainda precisa mostrar como os novos recursos de IA podem ajudar quem não trabalha com tecnologia. – Imagem: gguy/Shutterstock
Windows ainda precisa provar o valor da IA
Uma novidade potencialmente mais útil para o público geral é a reformulação da Busca do Windows 11. A interface foi redesenhada para exibir resultados diretamente na tela e funcionar de maneira semelhante a um iniciador de aplicativos.
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A experiência anterior da Microsoft com IA ajuda a explicar a cautela. Os PCs Copilot+, lançados dois anos antes, deram destaque às NPUs, chips que aceleram tarefas de inteligência artificial. Até agora, porém, poucas ferramentas de fotografia, vídeo e produtividade aproveitam esses recursos. O Recall, apresentado como um dos grandes destaques da plataforma, perdeu relevância após preocupações com privacidade e atrasos no lançamento.
Os computadores com RTX Spark podem ter mais sucesso entre desenvolvedores e criadores, que têm motivos concretos para executar modelos localmente. Para chegar a um público maior, será necessário levar essas capacidades a máquinas mais acessíveis.
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A Microsoft também enfrenta uma mudança que vai além do hardware. Agentes executados na nuvem, em máquinas virtuais Linux, podem ampliar a compatibilidade com aplicativos desse sistema. A empresa quer preservar a posição do Windows em um cenário no qual a maneira de usar computadores está mudando. Para isso, precisará mostrar que os agentes de IA oferecem vantagens reais, e não apenas computadores mais caros para especialistas.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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Tags: agentes de IA Inteligência Artificial Microsoft windows 11


