Belo Horizonte — Pode parecer cedo para falar de Natal. Ainda faltam alguns meses para as festas de fim de ano, mas, para algumas famílias — e principalmente para crianças e adolescentes que vivem em unidades de acolhimento —, a preparação começa agora. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) já busca famílias interessadas em participar da Campanha de Apadrinhamento de Natal.Para muita gente, o Natal é sinônimo de mesa cheia, presentes e boas lembranças. Tem quem guarde na memória a festa com aquele tio vestido de Papai Noel ou a ansiedade de esperar até a meia-noite para descobrir o que o bom velhinho deixou debaixo da árvore. Mas muitas crianças crescem sem ter a oportunidade de viver momentos assim.É para proporcionar essa experiência de convivência familiar que existe a campanha. A iniciativa permite que crianças, de 4 a 17 anos, que vivem em abrigos passem períodos fora desses espaços e convivam com padrinhos e madrinhas, inclusive durante as festas de fim de ano. Leia também Minas GeraisTJMG busca famílias para acolher no Natal crianças na fila da adoção Minas GeraisTJMG promove mutirão de conciliação para resolver conflitos sem processo Minas GeraisMagistrados fora das funções no TJMG recebem mais de R$ 50 mil por mês O número de famílias que participam da iniciativa cresceu nos últimos anos. Em 2021, 517 crianças e adolescentes foram recebidos por famílias durante as festividades. O número passou para 853 em 2022 e chegou a 1.437 em 2023. Em 2024, foram 2.217. Já em 2025, houve uma queda, com 1.522 participantes.O apadrinhamento está previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e é diferente da adoção. Segundo o TJMG, participar da campanha não dá ao padrinho ou à madrinha preferência ou qualquer direito caso a criança venha a ser disponibilizada para adoção. Para adotar, é necessário passar pelo processo específico previsto em lei.“Transformar a vida de crianças”Conforme o Metrópoles mostrou em reportagem, cerca de 450 crianças e adolescentes aguardam atualmente por apadrinhamento, reinserção familiar ou, em alguns casos, adoção. A proposta é permitir que aqueles que vivem em unidades de acolhimento tenham contato com outros ambientes e construam novos vínculos.“Mesmo que seja por pouco tempo, uma família tem o importante papel de transformar a vida de crianças e adolescentes que vivem em abrigos”, afirmou a promotora de Justiça da Infância e da Juventude de Belo Horizonte, Matilde Fazendeiro Patente.Como participar do apadrinhamentoAs famílias interessadas em participar devem se inscrever no Portal Minas Apadrinha, do TJMG, e passar por avaliação antes de serem autorizadas a participar do programa.O apadrinhamento não representa adoção. A proposta é proporcionar às crianças e aos adolescentes acolhidos uma experiência de convivência familiar e comunitária, com segurança e acompanhamento da rede de proteção.Isso não significa que uma adoção nunca possa acontecer posteriormente. Há casos em que pessoas que participaram do apadrinhamento acabam adotando, mas o TJMG ressalta que esse não é o objetivo da campanha.Minas tem quase oito pretendentes para cada criança aptaNos últimos cinco anos, 2.460 adoções foram concluídas em Minas Gerais. Foram 279 em 2021, 488 em 2022, 605 em 2023, 553 em 2024 e 535 em 2025.Atualmente, a diferença entre o número de crianças disponíveis e o de pessoas interessadas em adotar chama a atenção. Minas Gerais tem 580 crianças e adolescentes aptos à adoção e 4.675 pretendentes habilitados, segundo consulta feita em 17 de setembro de 2026 ao Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).







