O Supremo Tribunal Federal (STF) chega, nesta terça-feira (15/9), a um capítulo decisivo da maior crise da história da instituição. Divididos, os magistrados devem decidir sobre a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.Atualmente, a Corte Suprema do país está dividida entre um grupo mais alinhado a Moraes e outro mais próximo de André Mendonça.Os últimos dias foram marcados por uma verdadeira guerra de ofícios, com pedidos e decisões de ministros como o próprio Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes, de um lado, e Mendonça, do outro.Foi uma sequência de manifestações que, entre outros, envolveram solicitações de quebras de sigilo, revelação de conteúdo do celular de Daniel Vorcaro.O clima está quente há vários dias, preparando o terreno para uma terça que promete ser tensa. Leia também BrasilPF entrega a Gilmar e Zanin cópia dos dados do celular de Vorcaro Manoela AlcântaraKassio se reúne com Fachin às vésperas de sessão sobre Moraes Matheus LeitãoAs contas dos votos dos ministros para o julgamento de Moraes no STF Mirelle PinheiroNúcleo de Vorcaro pagou R$ 16 milhões em imóveis antes de escritura Crise no STFA sessão desta terça está marcada para começar às 10h. O fim de semana não deu trégua com uma série de pedidos e decisões sobre o sigilo do caso.Na noite desse sábado, Fachin tirou Mendonça da relatoria do processo que aponta o suposto elo entre Moraes e Vorcaro. Ele também mandou paralisar temporariamente as investigações do Master e das fraudes do INSS e ordenou que o relator dos dois casos, encaminhe os processos à Presidência do Supremo.Fachin negou um pedido feito por Gilmar Mendes para que uma possível investigação contra André Mendonça fosse feita ao mesmo tempo. O magistrado optou por separar as discussões e marcou a análise desse outro caso para 23 de setembro.4 imagensFechar modal.1 de 4Ministros trocaram acusações por investigação do MasterLara Abreu/ Arte Metrópoles 2 de 4Presidente do STF assumiu relatorias de processo em meio à crise Igo Estrela/Metrópoles3 de 4Corte decide se Moraes deve ser investigado por troca de mensagens com banqueiroGustavo Moreno/STF4 de 4Magistrados travaram guerra no SupremoGustavo Moreno/STFTambém no fim de semana, Fachin determinou que a PF apresente informações sobre o celular de Vorcaro que foi apreendido no ano passado. Gilmar e Zanin pediram acesso total ao conteúdo do aparelho.Mendonça se colocou contra e argumentou que liberar esses dados poderia trazer risco às investigações, além de tumultuar o julgamento desta terça-feira.Na avaliação do cientista político Gustavo Ribeiro, a crise no STF virou uma disputa de poder no Judiciário. Ele aponta a proximidade com as eleições e o risco de interferência no pleito.“O próximo presidente poderá, em tese, nomear quatro ministros (três, de forma realista, já que Gilmar Mendes só se aposenta em dezembro de 2030). É o suficiente para moldar a Corte por uma geração. Os dois lados querem garantir influência sobre essas nomeações”, observa.Para o cientista político Paulo Palhares, o posicionamento de Fachin diante da análise do caso será fundamental para restabelecer a harmonia no tribunal.“Ao tribunal, cabe assegurar aos envolvidos o direito à ampla defesa e ao mesmo tempo dar uma pronta resposta em meio à tensão institucional e à campanha eleitoral. Não se pode perder de vista que tribunais não recuperam autoridade agindo de forma açodada”, diz.“O desafio do ministro Fachin está justamente em encontrar o ponto de equilíbrio entre essas duas formas de contagem do tempo — a da política e a do direito —, sob pena de ser acusado de paralisia, por um lado, ou de açodamento, por outro”, acrescenta o especialista.Campos opostosA situação inédita, conforme dito acima, colocou a Corte em campos opostos. De um lado, os ministros tidos como aliados de Moraes — Gilmar, Zanin e Dino — estudam preliminares e questões de ordem, com o objetivo de paralisar ou arquivar o caso antes mesmo de o plenário discutir o mérito das acusações.Na outra ponta, a ala pró André Mendonça se organiza para levar o julgamento em frente. Os ministros Kássio Nunes Marques e Luiz Fux sinalizam votos alinhados ao relator do caso Master no Supremo.Em votação relâmpago, na semana passada, eles referendaram a determinação de Mendonça pelo afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A decisão, no entanto, foi derrubada no dia seguinte pelo ministro Flávio Dino.No meio desse processo estão os ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia e o presidente do STF, Edson Fachin.Toffoli sinalizou nos bastidores que não irá participar do julgamento. Ele tem se declarado impedido em todos os processos relativos ao caso Master desde março, quando o Supremo vivia uma outra crise por causa desse mesmo tema.O ministro colecionou série de polêmicas à frente da investigação e deixou a relatoria do caso devido a um conflito de interesses e investigações financeiras sobre a venda de fatias de um empreendimento de luxo,o Resort Tayayá, para fundos ligados a Daniel Vorcaro.A expectativa está nos posicionamentos de Cármen Lúcia e Fachin. Os dois possuem bom trânsito com os outros integrantes e não têm envolvimento com o Banco Master.AlvoAlexandre de Moraes tornou-se alvo de relatório da Polícia Federal após a identificação de 52 mensagens com Vorcaro. O ministro e o empresário teriam conversado principalmente em novembro de 2025, pouco antes da primeira prisão do banqueiro.O documento também cita a atuação do integrante do STF na análise de um contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher de Moraes.Agora, o plenário deve decidir se Alexandre de Moraes deve ser investigado por essas condutas. O caso provocou crise sem precedentes no Supremo e uma troca de acusações entre os ministros.Supremo divididoAlexandre de Moraes — Virou alvo da PF por trocar mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro. Defende a quebra do sigilo total da investigação e criticou divulgação seletiva de Mendonça.André Mendonça — É contra a quebra de sigilo do dono do Master e defende que o plenário julgue Moraes.Flávio Dino — Derrubou a decisão de Mendonça e reconduziu o diretor da PF ao cargo. Fez críticas à atuação do relator no caso.Cristiano Zanin — Solicitou acesso irrestrito aos dados do celular de Vorcaro antes do julgamento de Moraes.Gilmar Mendes — Pediu julgamento simultâneo de Mendonça nesta semana e solicitou quebra de sigilo de aparelho telefônico.Nunes Marques — Aliado de Mendonça, ministro tem sinalizado nos bastidores que deve votar pelo prosseguimento da investigação.Luiz Fux — Deve votar contra Moraes no julgamento.Cármen Lúcia — Magistrada não deu sinalizações sobre seu voto no caso.Edson Fachin — Presidente da Corte assumiu a relatoria de casos durante a crise.PGR — O órgão manifestou-se oficialmente pelo arquivamento e anulação do relatório.











