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Douglas Stewart Carter foi condenado pelo assassinato de uma mulher em 1985 e terá novo julgamento; Suprema Corte de Utah já apontou má conduta de investigadores no caso
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Douglas Stewart Carter deixa o tribunal após audiência que determinou sua libertação, em Utah, nos Estados Unidos — Foto: Reprodução
Um homem de 71 anos que passou quatro décadas preso, grande parte delas no corredor da morte, foi libertado após uma nova análise de evidências de DNA não o relacionar ao assassinato pelo qual foi condenado. Douglas Stewart Carter deixou uma prisão em Utah, nos Estados Unidos, na noite de segunda-feira, depois que um juiz determinou sua libertação sob fiança enquanto o caso aguarda um novo julgamento.
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Carter foi condenado pela morte de Eva Olesen, tia de um chefe de polícia, assassinada em 27 de fevereiro de 1985. A vítima foi encontrada morta em casa, parcialmente despida e com as mãos amarradas nas costas. Ela havia sido esfaqueada e baleada.
Uma análise de DNA concluída neste mês não identificou Carter como possível origem de material genético encontrado em uma maçaneta e no cabo da faca usada no crime. Para o juiz Derek Pullan, os resultados enfraquecem a acusação contra Carter, embora, segundo ele, ainda seja possível que um júri considere que o homem tenha cometido o assassinato.
Carter sempre afirmou ser inocente. Ele foi condenado inicialmente com base principalmente em uma confissão assinada durante um interrogatório e no depoimento de duas testemunhas que disseram que ele havia se gabado de matar Olesen. Anos depois, as duas testemunhas voltaram atrás e afirmaram que haviam mentido.
Em 2011, as testemunhas foram localizadas no México e disseram que policiais lhes haviam dado dinheiro e presentes para que incriminassem Carter. Segundo elas, agentes e promotores também teriam ameaçado deportá-las, assim como o filho de uma delas, caso não mantivessem as acusações.
A Suprema Corte de Utah determinou no ano passado que Carter tivesse um novo julgamento, citando “múltiplos casos de má conduta intencional” por parte de policiais e de um promotor. O novo exame do material recolhido na cena do crime foi realizado depois dessa decisão.
Carter havia sido preso em junho de 1985, em Nashville, no estado do Tennessee. Ele havia deixado Utah dois meses antes, depois de acreditar que era suspeito de um caso de agressão sem relação com o assassinato. Durante um interrogatório conduzido por um detetive de Provo, assinou uma confissão. Mais tarde, afirmou que havia confessado falsamente após ser ameaçado repetidamente pelos policiais.
A defesa também questionou a investigação sobre outros possíveis suspeitos. Os advogados afirmam que testemunhas viram um homem branco deixando o local do crime e que evidências que poderiam apontar para outras pessoas foram ocultadas. Entre os nomes mencionados está o marido da vítima, Orla Olesen, que morreu em 2009.
A promotoria ainda avalia as evidências restantes do processo. Um novo julgamento, que estava previsto para durar cerca de dois meses no próximo ano, continua sendo considerado, mas os promotores desistiram recentemente de pedir novamente a pena de morte.
Libertado sob fiança, Carter terá de usar um monitoramento por GPS e não poderá entrar em contato com familiares de Eva Olesen. Ele deverá ficar hospedado em um hotel próximo ao filho, Tyler Anger.
Durante a audiência que determinou sua libertação, Theresa Olesen, nora da vítima, afirmou que a família tinha “sérias preocupações” com a decisão. Segundo ela, o resultado do exame de DNA não significa que Carter não estivesse na cena do crime.
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