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Em 37 páginas, procurador-geral diz que não é amigo de Vorcaro
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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, na sessão extraordinária para julgamento sobre as mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao ministro da Corte Alexandre de Moraes, realizada no Supremo Tribunal Federal (STF) — Foto: Rosinei Coutinho/STF
O procurador-Geral da República, Paulo Gonet, disse ao Conselho Superior do Ministério Público Federal que não é amigo de Daniel Vorcaro e não tem “interesse pessoal” nos processos que envolvem o ex-banqueiro. A afirmação consta do arrazoado de 37 páginas que Gonet apresentou ao colegiado nesta terça-feira e foi também repetida por ele na sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) para avaliar o relatório da Polícia Federal (PF) sobre as 52 mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o dono do Banco Master. Em sua defesa, Gonet também acusa de leviandade sugestões que constam do relatório da PF de que ele teria uma relação promíscua com o dono do Master.
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O processo no Conselho Superior do MPF foi aberto a pedido de deputados do Partido Novo e será avaliado pelo colegiado no próximo dia 25.
Citado nas mensagens do ex-banqueiro – que pergunta a Moraes se não seria possível “reverter isso com Paulo ou Andrei” e reclama sobre ser alvo de “muita sacanagem” –, Gonet diz que não tinha nem sequer o contato de Vorcaro no telefone celular e nem constava da lista de contatos do executivo.
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“Se o Sr. Daniel Vorcaro imaginava que alguém poderia, de alguma forma, pedir-me para que intercedesse por ele, isso não apenas não se concretizou, como essas mesmas referências a pedidos de socorro por meio de terceiros revelam, por si também, a falta de contato pessoal entre o Sr. Daniel Vorcaro e eu. Se houvesse essa facilidade de contato pessoal, ele não precisaria enviar mensagens para terceiros, rogando que falassem comigo”, escreveu Gonet.
Momentos de convívio
O procurador-geral disse ainda que só esteve com o dono do Banco Master uma única vez em Londres, durante o I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, em abril de 2024, mas afirma que não sabia que o Master patrocinava o evento.
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“Até aquele momento, o sr. Daniel Vorcaro me era pessoa desconhecida. O Banco Master, que não constava como patrocinador do evento, até então, era para mim apenas uma instituição financeira em atividade aparentemente regular”.
Foi durante o fórum jurídico que Vorcaro e o Banco Master ofereceram uma degustação de uísque e charutos a magistrados do STF e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dois ministros do governo Lula, Ricardo Lewandowski (Justiça) e Jorge Messias (AGU). Gonet, assim como o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, estavam no evento, a que o procurador-geral se refere em sua defesa apenas indiretamente como “momentos de convívio dos presentes”.
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Segundo consta dos materiais apreendidos na investigação, Vorcaro pagou R$ 640 mil reais pelo evento, ou R$ 3,3 milhões pelo câmbio da época.
Breve saudação
Nas mensagens de Vorcaro que constam no relatório da PF sobre a relação com Alexandre de Moraes também há prints de conversas com uma foto em que Gonet e o advogado Ciro Soares, que trabalhava para Vorcaro, aparecem sorrindo usando roupas casuais.
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Nas conversas, Soares afirma que o procurador-geral iria à segunda edição do evento em Londres em 2025 e encaminha uma mensagem que teria sido enviada originalmente por Gonet em referência à degustação no ano anterior. “Oba! Tomara que tenha charuto e Macallan”.
Gonet diz que só se lembrou dessa interação com Vorcaro depois de ler o relatório da polícia. Segundo ele, em uma ocasião em que os dois estavam juntos, em março de 2025, o advogado ligou para o Vorcaro para uma “breve saudação”. De acordo com o relatório da Polícia Federal, o telefonema ocorreu 13 dias antes da referência à degustação.
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Naquele dia, de acordo com o relato do PGR, Soares afirmou que o Master estava para concluir a transação com o BRB. “Não era assunto da minha alçada profissional, mas até por gentileza, dei os parabéns. Óbvio que o quadro real era outro, o que era por mim totalmente desconhecido”.
Dias depois, o advogado o teria informado por WhatsApp que a operação estava avançando, ao que ele respondeu: “Que bom! Na torcida por vocês!”. Essa mensagem aparece no relatório da PF como encaminhada por Ciro Soares e Vorcaro.
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De acordo com Gonet, a mensagem seguinte do relatório, em que se lê “saudade de você”, foi enviada apenas a Soares e nada tem a ver com Vorcaro. “A imputação nesse passo só se explica pela leviandade no trato dos fatos. Somente pelo desejo maledicente de disseminar dúvida sobre a integridade alheia é que se imputa a alguém haver dirigido a frase ‘saudade de você’ a quem mal se conhece”.
O procurador-geral afirma ainda ainda não ter pedido, no ano seguinte, para que o filho fosse a Londres no ano seguinte para a segunda edição do fórum jurídico, que acabou não acontecendo. Segundo ele, não houve nem convite e nem conversa a respeito, embora Ciro Soares apareça no relatório da PF perguntando se o filho do procurador, Pedro Gonet, poderia ir com eles para Londres. Vorcaro responde: “Óbvio”.
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Atuação no caso Master
Na peça de defesa, Gonet defendeu a atuação da PGR no caso Master. Disse que assim que recebeu a informação sobre a fraude do próprio presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, encaminhou o processo ao procurador responsável e deu apoio a ele. Afirmou, ainda, que não interferiu nas investigações e nem buscou conhecimento de informações sigilosas. Diz, ainda, que não recebeu nenhum pedido para interferir a favor de Vorcaro.
O PGR também reuniu cartas e ofícios de várias pessoas para comprovar o que diz, entre elas os procuradores envolvidos na investigação e o organizador do fórum jurídico.
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“É despropositado e mesmo injurioso extrair efeito acusatório de anotações, que, confrontadas com a realidade empírica, apenas positivam que o desejo do Sr. Vorcaro nelas expressado nunca se realizou, nem me foi transmitido”.
Ele também reservou espaço ara fazer uma crítica ao relator do caso Master, André Mendonça, por ter dado a ele apenas 72 horas para avaliar o segundo pedido de prisão de Vorcaro, que acabou sendo decretada por Mendonça após a PGR se manifestar contra a medida cautelar. Na ocasião, Gonet afirmou não haver “indicação de perigo iminente, imediato, que induza a extraordinária necessidade de tão rápida e necessariamente sucinta análise do pleito”.
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“Não é compatível com a responsabilidade e as prerrogativas do Ministério Público Federal, nem com a sua vinculação aos direitos fundamentais, a atuação açodada, despreocupada das suas atribuições constitucionais. Seria acintoso à importância das funções confiadas pelo constituinte ao parquet produzir uma cota de abono, ou de sugestões paralelas ou mesmo de contrariedade às sérias medidas que eram solicitadas pela Polícia Federal, sem o seu exame suficientemente refletido”, diz o procurador-geral em sua defesa.
“O provável impacto midiático das medidas não poderia servir de causa para a imprudência de uma manifestação afoita, que acaso fosse do agrado popular momentâneo, mas que não correspondesse à convicção livre e assisadamente formada pelo Procurador-Geral da República. E isso, sobretudo, quando não se podia, à uma leitura ligeira, discernir situação contemporânea de risco intenso que as medidas mais drásticas pressupõem”.
Além de 30 páginas com a síntese de sua defesa, Gonet anexou sete páginas de tabelas que, segundo ele, detalham a cronologia das etapas do caso Master e das ações da PGR ao longo da investigação.
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