Finalista do Campeonato Brasileiro Feminino, o São Paulo integra um movimento que ganha força no país às vésperas da Copa do Mundo de 2027. O clube passou a contar nesta temporada com uma terceira camisa desenvolvida exclusivamente para a equipe feminina.O uniforme, lançado em parceria com a New Balance, é uma tendência de criação de produtos, patrocínios e identidades pensados especificamente para o futebol feminino. Em 2026, 12 dos 18 clubes que disputaram a Série A do Brasileirão tiveram ao menos um patrocinador exclusivo para a modalidade.A expansão dos investimentos mostra que as equipes femininas começam a ser tratadas pelas marcas como propriedades comerciais independentes, e não somente como uma extensão dos contratos mantidos com o futebol masculino.A Copa do Mundo Feminina no Brasil também ajuda a acelerar esse processo. Com a expectativa de maior exposição da modalidade, clubes e empresas procuram antecipar projetos capazes de ampliar a conexão com torcedores e criar novas fontes de receita.A terceira camisa da equipe feminina do São Paulo faz parte da coleção de 2026 e também marca o início da contagem regressiva para o centenário do clube. A peça explora o conceito de “DNA Tricolor” e apresenta um selo com uma flor de lótus e a inscrição “Somos Lótus, Somos Luta”.Embora o lançamento tenha acontecido em agosto, o uniforme ganhou mais relevância com a classificação do São Paulo para a final do Brasileirão Feminino. O primeiro jogo da grande decisão acontece neste sábado (26), contra o Corinthians. As Tricolores decidem o título em casa, no dia 3, jogando no Morumbis.“O futebol feminino ocupa uma posição estratégica dentro do São Paulo, e a campanha no Campeonato Brasileiro demonstra a consistência do trabalho realizado. O lançamento de uma camisa exclusiva para a equipe feminina, algo inédito na história do clube, reforça esse compromisso”, afirmou André Marques, diretor executivo de marketing do São Paulo.O dirigente disse ainda que o clube pretende utilizar o bom momento esportivo para aproximar a equipe da torcida, aumentar a exposição e atrair marcas interessadas em projetos de longo prazo.O Cruzeiro é o clube brasileiro com o maior número de patrocinadores exclusivos para a equipe feminina. São três acordos: Rexona, nas mangas; Neutrox, na barra frontal da camisa; e Cremer, nos shorts.O Corinthians, atual campeão do Brasileirão, fechou contrato com a Remessa Online para a exibição da marca na barra inferior traseira do uniforme até o fim de 2026. O Flamengo, por sua vez, acertou com a Cinbal, que passou a ocupar a barra frontal da camisa.No Juventude, a parceria com a Uniftec existe desde 2023 e vai além da exposição publicitária. O acordo também oferece às atletas a possibilidade de acesso ao ensino superior.Para Renê Salviano, especialista em marketing esportivo e CEO da Heatmap, o avanço dos contratos demonstra um interesse maior de clubes e empresas pelo desenvolvimento da modalidade.“As parcerias exclusivas demonstram que esses agentes estão cada vez mais interessados em participar desse processo e, ao mesmo tempo, representam novos ativos comerciais capazes de fomentar a diversificação das fontes de receita dos clubes”, afirmou.O aumento do interesse comercial também chegou às competições organizadas pela CBF. Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Recopa Feminina contaram com empresas como Amazon, Coca-Cola, Uber, Hyundai, Itambé, Monange e Sicoob entre seus patrocinadores oficiais.Para Mônica Esperidião, CSO da FSports, agência responsável pela comercialização do futebol feminino da CBF no ciclo de 2025 a 2029, o movimento revela um amadurecimento do mercado.“As marcas entenderam que o futebol feminino já não é mais uma contrapartida do masculino, mas um ativo independente de alto valor”, avaliou.A criação de estratégias próprias também permite que as empresas direcionem suas ações ao perfil do público e acompanhem de maneira mais precisa o retorno dos investimentos.“Os patrocínios exclusivos permitem que as marcas construam ativações específicas para aquele público, com retorno mais direto e mensurável do que em uma cota genérica”, explicou Thiciana Simão, CEO e cofundadora da AdSports.A tendência não está restrita ao futebol brasileiro. Na Inglaterra, o Manchester City apresentou uma identidade visual exclusiva para sua equipe feminina, iniciativa inédita no país.Batizado de “It Takes a City”, o projeto foi desenvolvido com a participação dos torcedores e tem como principal elemento um monograma formado pelas letras M, C e W — referência a Manchester City Women.A identidade será utilizada nas redes sociais e nas partidas da equipe, mas não substituirá as cores nem o escudo do clube. O objetivo é diferenciar o time feminino comercialmente sem romper sua ligação com a marca principal do Manchester City.O clube inglês já havia adotado outras iniciativas específicas, como a profissionalização integral das jogadoras e a negociação dos direitos de nome do estádio utilizado pela equipe.Para Camila Estefano, gerente-geral do Estrelas, iniciativa social de incentivo ao futebol feminino, a criação de identidades e produtos próprios também pode contribuir para atrair novas gerações.“Quanto mais o feminino ocupa espaço, cria seus próprios códigos e ganha visibilidade, mais meninas conseguem se enxergar nesse caminho”, afirmou.Com a Copa do Mundo de 2027 no horizonte, a tendência é que patrocínios, uniformes e projetos exclusivos avancem no Brasil. Finalista do principal campeonato nacional, o São Paulo ajuda a dar visibilidade a um movimento que busca transformar o crescimento esportivo do futebol feminino em oportunidades comerciais mais consistentes.✅Não perca nenhum lance! Siga o canal de esportes do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp









