Procura por empréstimos e financiamentos desacelera no país, mas segue em forte alta entre consumidores de menor renda

A procura por crédito cresce com força justamente entre os brasileiros de menor renda, ao mesmo tempo em que o endividamento e a inadimplência avançam nesse grupo. Entre os consumidores que recebem de um a dois salários mínimos, a busca por crédito aumentou 41% no acumulado de 12 meses até agosto, segundo a Serasa Experian.

Segundo levantamento, considerando todas as faixas de renda, a busca dos brasileiros por crédito cresceu 16,5% no acumulado dos últimos 12 meses até agosto. Depois dos consumidores que recebem de um a dois salários mínimos, as maiores altas foram registradas entre aqueles com renda de até um salário mínimo, com avanço de 14,1%; de cinco a dez salários mínimos, com 12%; e acima de dez salários mínimos, com 7%.

O movimento ocorre em um cenário de orçamento já pressionado. Em agosto, 82% das famílias brasileiras tinham algum tipo de dívida a vencer, como cartão de crédito, empréstimos ou financiamentos, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O percentual permaneceu no recorde da série histórica e superou os 78,8% registrados um ano antes.

A situação é mais delicada na baixa renda. Entre as famílias que recebem até três salários mínimos, 85,1% estavam endividadas em agosto e 38,8% tinham contas ou parcelas em atraso. Foi a única faixa de renda em que a inadimplência aumentou no mês. Além disso, 18,3% disseram não ter condições de pagar as dívidas atrasadas.
Os levantamentos usam faixas de renda diferentes e, portanto, não permitem estabelecer uma relação direta entre a maior procura por crédito e o avanço do endividamento. Os números, porém, mostram que a demanda cresce justamente entre consumidores cujo orçamento está mais pressionado.
“Para uma parcela importante das famílias de menor renda, o crédito continua tendo um papel relevante na administração do orçamento e das despesas do dia a dia”, afirma Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa Experian. Ela ressalta que o movimento ocorre em um ambiente de juros ainda elevados, concessão mais criteriosa de crédito e inadimplência alta.
Na comparação apenas entre agosto deste ano e o mesmo mês de 2025, a procura por crédito cresceu 5,5% no país, mostrando desaceleração em relação ao acumulado em 12 meses. Mais uma vez, porém, a baixa renda destoou: entre quem recebe de um a dois salários mínimos, a demanda avançou 43,9%. Nas demais faixas de renda, houve queda, com exceção desse grupo.
Demanda do consumidor por crédito, em 12 meses
Faixas de renda
agosto/26
Até 1 salário mínimo
14,1%
De 1 a 2 salários mínimos
41%
De 2 a 5 salários mínimos
-0,4%
De 5 a 10 salários mínimos
12%
Acima de 10 salários mínimos
7%
Fonte: Serasa Experian
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Enquanto endividamento aumenta, procura da baixa renda por crédito dispara 40% — Foto: Getty Images
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