O Complexo Cultural Templo Girassol é um centro cultural, religioso e espaço expositivo privado localizado em Dourados, no estado de Mato Grosso do Sul. Associado à Umbanda e à cultura afro-brasileira, o complexo reúne estruturas religiosas, esculturas monumentais de orixás e entidades, acervo de antiguidades, jardins, agrofloresta e espaços voltados à visitação. O espaço foi fundado pelo sacerdote e escritor Willian Girassol, e é situado nas Sitiocas Campo Belo, em área periférica e ruralizada do município de Dourados. Em 2025, recebeu da Câmara Municipal de Dourados o Diploma Zumbi dos Palmares na categoria cultural. Em maio de 2026, projeto vinculado ao espaço foi classificado preliminarmente como entidade pré-certificada como Ponto de Cultura em edital da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, com inscrição ID 564891 e pontuação de 101,5.
História As atividades do Templo Girassol são associadas ao ano de 2012, quando teve início a construção e organização do espaço em Dourados. A estrutura religiosa e cultural desenvolveu-se em torno da atuação de Willian Girassol, sacerdote umbandista, escritor e compositor ligado à produção literária e musical de temática religiosa. Em 2016, a dissertação de mestrado Análise territorial da Umbanda em Dourados-MS, defendida na Universidade Federal da Grande Dourados, analisou o então Templo de Umbanda Caboclo Girassol no conjunto dos centros de Umbanda existentes no município. O trabalho descreveu diferenças de localização, infraestrutura, perfil de frequentadores e formas de sociabilidade em relação a outros terreiros de Dourados.
Localização e caracterização territorial O complexo está situado nas Sitiocas Campo Belo, em Dourados, a aproximadamente 15 quilômetros do centro urbano, segundo levantamento acadêmico realizado na UFGD. O endereço divulgado pelo próprio espaço é Rua Vereador José Ferreira do Nascimento, 11, QR5, lote 26, Sitiocas Campo Belo. A pesquisa de Chaves descreveu o local como uma estrutura semelhante a uma chácara residencial de alto padrão, com estacionamento interno e fluxo de frequentadores que se deslocavam até o templo por veículos particulares. A autora também apontou que a dinâmica social do espaço se diferenciava de terreiros menores e periféricos, apresentando relações menos baseadas em convivência de vizinhança e maior presença de recursos de divulgação digital.
Arquitetura e estrutura física A edificação central do complexo é conhecida pelo formato de castelo e pelo revestimento em pedras naturais. Reportagem do Campo Grande News, publicada em 2019, descreveu a construção como um castelo feito com pedras Yangui, coletadas em estradas rurais da região por voluntários e aplicadas manualmente na estrutura. A construção é associada a um repertório visual de inspiração medieval e religiosa, com ambientes internos e externos voltados à prática ritual, à visitação e à exposição de esculturas. Segundo fontes jornalísticas e institucionais, o espaço reúne castelo de pedras, áreas ajardinadas, estruturas de culto, Casa do Lampião, Casa dos Pretos Velhos, Pirâmide Cultural, agrofloresta e aviário de aves ornamentais. A dissertação da UFGD registrou a existência de dois salões de sessões distintos, associados às chamadas linhas de direita e de esquerda da Umbanda, com decoração e organização próprias. A pesquisa também observou que, no templo analisado, não havia altares católicos internos, elemento que o diferenciava de alguns modelos de sincretismo observados em outros contextos umbandistas.
Museu de Orixás e esculturas monumentais
O complexo abriga uma exposição ao ar livre de esculturas monumentais de orixás e entidades cultuadas em religiões afro-brasileiras. Em 2019, o Campo Grande News registrou cerca de 30 imagens gigantes em concreto, ferro e arame, com aproximadamente três metros de altura. Reportagens posteriores mencionaram a ampliação do acervo para 80 ou mais de 90 esculturas, indicando crescimento progressivo do conjunto ao longo dos anos. As fontes regionais frequentemente descrevem o espaço como o maior museu de orixás do Brasil. A formulação, contudo, não é acompanhada de certificação técnica nacional ou inventário comparativo emitido por órgãos museológicos. Reportagem do portal O Sul-Matogrossense atribuiu ao artista Leeh Girassol a atuação na criação estética de esculturas do complexo. A mesma matéria tratou da repercussão pública de uma escultura de Baphomet, associada pelo portal à figura de Belzebu na Quimbanda, que circulou pelas ruas de Dourados em 2023. Segundo declaração do artista ao veículo, a peça teria caráter filosófico e pedagógico, relacionado ao enfrentamento da intolerância religiosa.
Museu de Antiguidades O Museu de Antiguidades — Acervo Willian Girassol foi inaugurado em 10 de junho de 2024, segundo cobertura de veículos locais. O espaço integra o complexo e reúne mais de 3 mil objetos históricos, antiguidades, peças sacras, mobiliário, documentos, equipamentos antigos e itens relacionados à cultura popular brasileira. Entre as peças citadas em reportagens estão uma caixa registradora Rodbel de 1879, uma tesoura cirúrgica Solingen do século XIX, pianos nacionais da década de 1950 e aparelhos de rádio fabricados no Uruguai em 1943. Não foram encontrados registros do Museu de Orixás ou do Museu de Antiguidades no Cadastro Nacional de Museus, que lista em Dourados instituições como o Museu da Biodiversidade da UFGD e o Museu Histórico e Cultural de Dourados. Dessa forma, a denominação "museu" aparece no artigo como designação usada pelas fontes e pelo próprio espaço, não como reconhecimento museológico federal.
Agrofloresta e espaços ambientais
Fontes institucionais e jornalísticas mencionam a existência de jardins, agrofloresta e áreas de cultivo no interior do complexo. Segundo reportagem regional, a agrofloresta reuniria mais de 300 espécies vegetais, incluindo plantas de uso ritual, como akokô, jurema-preta, obi, orobó e baobá. Esses espaços são apresentados pelas fontes como parte da integração entre práticas religiosas, preservação ambiental, contemplação e visitação.
Atividades religiosas e culturais
O complexo desenvolve atividades religiosas vinculadas à Umbanda e à cultura afro-brasileira, incluindo giras, atendimentos espirituais e práticas de caridade divulgadas pelo próprio espaço. O site oficial informa a realização de atividades espirituais às segundas e quintas-feiras, às 19h, com atendimento gratuito por médiuns da casa. A dissertação da UFGD identifica o templo como parte do campo umbandista de Dourados e o descreve no contexto das territorialidades religiosas do município. Fontes regionais também associam o complexo à Umbanda Omolocô. Além das atividades religiosas, o espaço é utilizado para visitação cultural, recepção de estudantes, eventos, contemplação dos acervos e divulgação de manifestações associadas à cultura afro-brasileira.
Reconhecimento institucional Em 25 de novembro de 2025, o Complexo Cultural Templo Girassol recebeu o Diploma Zumbi dos Palmares, concedido pela Câmara Municipal de Dourados na categoria cultural. A honraria é voltada a personalidades e entidades com atuação relacionada à valorização da cultura afro-brasileira e à promoção da igualdade étnica no município. Em maio de 2026, o Diário Oficial Eletrônico de Mato Grosso do Sul publicou resultado preliminar de edital da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul no qual projeto vinculado ao complexo aparece como entidade pré-certificada como Ponto de Cultura, sob a inscrição ID 564891 e com pontuação de 101,5.
Impacto urbano e visitação A presença do complexo nas Sitiocas Campo Belo foi mencionada em debates e solicitações de infraestrutura urbana em Dourados. Em requerimento divulgado pela Câmara Municipal, o vereador Rogério Yuri solicitou pavimentação em vias principais do bairro, associando a demanda ao fluxo de moradores, visitantes e frequentadores do Complexo Cultural Templo Girassol. Reportagens regionais registraram a visita de artistas e personalidades ao complexo, incluindo o ator e cantor Tiago Abravanel. Contudo, não foram encontrados dados públicos auditados sobre número anual de visitantes, escolas recebidas ou fluxo turístico consolidado. Não foram localizadas menções ao complexo em roteiros turísticos oficiais consultados da Prefeitura de Dourados ou de órgãos estaduais de turismo. Assim, o espaço pode ser descrito como local que recebe visitantes e é tratado por fontes regionais como atrativo cultural, mas não como atração turística oficial cadastrada.
Recepção pública e intolerância religiosa A presença pública das esculturas e a atuação do complexo em torno de religiões de matriz africana geraram repercussões em veículos regionais. A matéria do O Sul-Matogrossense sobre a escultura de Baphomet/Belzebu registrou críticas, interpretações religiosas e manifestações de defesa do artista Leeh Girassol, que vinculou a obra à discussão sobre intolerância religiosa.
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Referências
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