Delegações deixam plenário da ONU em protesto contra Netanyahu

Primeiro-ministro israelense chamou de “covardes morais” os representantes que se retiraram antes de seu discurso na Assembleia Geral.

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A delegação brasileira deixou o plenário da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) antes do discurso do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, nesta quinta-feira, 24, repetindo o protesto realizado em 2024 e 2025. A primeira retirada ocorreu por determinação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

A primeira retirada da delegação brasileira ocorreu em 27 de setembro de 2024, antes de Netanyahu subir ao púlpito da ONU. Representantes de outros países também deixaram o plenário em protesto contra a condução da guerra na Faixa de Gaza e a escalada do conflito entre Israel e o Hezbollah no Líbano.

Delegação brasileira deixa o plenário da Assembleia-Geral da ONU antes do discurso do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, pelo terceiro ano consecutivo. Foto: Reprodução/ONU

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Na ocasião, um diplomata informou ao Estadão/Broadcast que a decisão de não acompanhar o discurso havia partido do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, na noite anterior. Segundo a fonte, pesaram na determinação a crise humanitária em Gaza, o agravamento do conflito no Oriente Médio e a morte de dois brasileiros no Líbano.

Outro diplomata confirmou que a ausência dos representantes brasileiros resultou de uma “orientação de Brasília”. Ele ressaltou que, tradicionalmente, ao menos um integrante da diplomacia brasileira acompanha todos os discursos de chefes de Estado durante a Assembleia-Geral. Até então, o Brasil não havia se retirado de um discurso do governo israelense na ONU.

Delegação repetiu retirada em 2025
Em 26 de setembro de 2025, os representantes brasileiros voltaram a deixar o salão do Debate Geral da Assembleia-Geral quando Netanyahu subiu ao púlpito.
Naquele ano, integrantes de dezenas de delegações também se retiraram. Entre eles estavam representantes de quase todos os países árabes e muçulmanos presentes, além de delegações de países africanos e europeus.
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O protesto ocorreu em meio à ofensiva israelense na Faixa de Gaza, que se aproximava de completar dois anos. Enquanto parte dos representantes deixava o plenário, Netanyahu foi aplaudido por outros participantes, e o presidente da sessão pediu ordem.
Primeiro-ministro rebateu saída de delegações neste ano: ‘Covardes’
Neste ano, representantes de diferentes países também se retiraram do salão antes de Netanyahu começar a falar. A delegação brasileira estava entre elas. Em meio aos protestos e às vaias, o presidente da sessão, Khalilur Rahman, precisou pedir ordem mais de uma vez.
Ao iniciar o pronunciamento, Netanyahu criticou os representantes que haviam deixado o plenário. “Antes de começar, só um breve comunicado. Se houver algum outro covarde moral que ainda não tenha saído desta sala, por favor, saia agora. Muito obrigado”, afirmou.
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um crítico da ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza. A retirada desta quinta-feira marca o terceiro ano consecutivo em que o Brasil deixa de acompanhar o discurso do primeiro-ministro israelense na Assembleia-Geral.
Segundo fontes do Itamaraty, a retirada da delegação brasileira do plenário foi um gesto de solidariedade aos 394 funcionários da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) mortos em ataques das forças israelenses desde outubro de 2023.
Ainda segundo integrantes da pasta, durante o discurso de Netanyahu, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participava de uma reunião ministerial de apoio à agência, em Nova York, que reuniu representantes de dezenas de países e contou com a presença do secretário-geral da ONU, António Guterres.
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