Reinaldo Azevedo

Willer Tomaz, o investigado amigão do senador, depositou essa soma astronômica em 2025. PF abre investigação sob suspeita de lavagem

Reinaldo Azevedo
29/09/2026 23:12, atualizado 29/09/2026 23:15
Amigo de Flávio e R$ 5 bi em bet: focinho, pata e pelo de gato. Será gato?
Conheço alguns bilionários — e há até os, vamos dizer, “muito bilionários”. Ninguém tem R$ 5 bilhões livres no caixa para a tripa forra. Nem Elon Musk — que não conheço —, que chegou a ser trilionário em dólares por um curto período, deve estar na condição de sacar o celular e ordenar: “Me liberem já um bilhão de dólares… Agora!”
Nenhum deles tem a astúcia de Willer Tomaz, o amigão de Flávio Bolsonaro já investigado no inquérito da roubalheira do INSS e que, agora, será alvo de uma apuração da PF porque, de modo espetacular, movimentou R$ 10 bilhões em bets no ano passado entre entradas e saídas.
Vale dizer: pôs ao menos R$ 5 bilhões na bagaça, como informa Demétrio Vecchioli neste “Metrópoles”.
Entre os “meus bilionários”, há banqueiros, mineradores, industriais, agropecuraristas… Um bando de fracotes! Ninguém teria disponível essa montanha de dinheiro em um ano só para depositar no site de apostas. Como diria o poeta, “a vida é luta renhida”. Como Tomaz ficou multibilionário? Exercitando a advocacia?
Vou aos muito ricos da ficção. Vejo a imagem do doutor, e em nada me lembra Jay Gatsby — de “O Grande Gatsby”, obra-prima de Scott Fitzgerald (o marido de Zelda, a linguaruda…). Enriqueceu, sim, vendendo bebida durante a Lei Seca, mas era charmoso e, a seu modo, romântico. Todo o espalhafato buscava conquistar a mulher amada. Românticos sempre se dão mal no fim da história. Não leram “Amor de Perdição”, de Camilo Castelo Branco? Também Gatsby termina na água..
Nos modos, o amigão de Flávio remete mais, para ficar na mesma obra, ao grosseirão Tom Buchanan, mas este tinha grana antiga, de família. Também não é o caso. A surpreendente folia bilionária do tal advogado não tem, assim, vamos dizer, um “pedigree” conhecido. Sua fortuna, temos de admitir, parece se erguer mesmo no terreno das amizades. E, nesse caso, o seu maior tesouro parece ser Flávio Bolsonaro, seu parceiro de aviões, viagens e folguedos em cassino.
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Não houve por onde. A Polícia Federal se viu na contingência de investigar uma eventual lavagem de dinheiro. Se os magnatas dispusessem de R$ 5 bilhões à mão para folias e vícios, vamos convir: bilionários não seriam, não é mesmo? Estariam perdidos, envergando andrajos, São Paulo afora. Nota: essa gente da “tradicional família cristã”, por aqui, pode não multiplicar pães e peixes, mas multiplica cracolândias… E Tomaz não é visto, sem sapatos e a perambulas em nenhuma delas.
Ele se diz viciado e cobra de uma das empresas, a Blaze, a bagatela de R$ 163 milhões. Dados os registros, nem se sabe como teve tempo de ficar tão rico. No dia 29 de julho do ano passado, por exemplo, teria apostado freneticamente entre 2h e 4h. No intervalo, fez 11 depósitos de R$ 100 mil e perdeu tudo depois de centenas de giros de roleta com lances sempre acima de R$ 50 mil.
Neste ano, na manhã de 19 de janeiro, depositou R$ 500 mil na Blaze e, depois de meia hora jogando on-line, sacou R$ 1 milhão fracionado em dez vezes. À tarde, ganhou um bônus de fidelidade de R$ 325 mil, o que é proibido pela legislação, mas torrou o valor em cinco minutos. À noite, o lucro da manhã virou pó, com perdas de R$ 725 mil.
Os R$ 163 milhões que Tomaz teria perdido correspondem à metade da quantia que a Blaze diz ter remetido para a Ilha de Man, um paraíso fiscal… Vamos ser claros? Se lavagem de dinheiro fosse um gato, é justo dizer que tem focinho de gato, pata de gato, corpo de gato e que mia como gato. Deve ser um gato. Só não vou dizer que tem rabo de gato porque Man tem a única raça naturalmente sem rabo do mundo.
Setores do jornalismo também vivem um mau momento, com alguma chance de ser o pior em tempos democráticos. Há um esforço para equilibrar malfeitos, como a dizer: “Sabemos que ninguém presta”. Ainda que assim fosse, vamos convir: Lula completa seu 12º ano de mandato e está na vida pública desde o fim dos anos 70.
Olhem para a curta carreira de Flávio e quanto há a explicar — insisto: não sou eu a praticar equilibrismo. Convenham: se é para ficar no caso Master, que parece mesmerizar as consciências, só um deles foi flagrado a pedir alguns milhões a Daniel Vorcaro, para chutá-lo depois. Ainda não está claro se é ingratidão ou uma forma de cálculo.
Volto a Tomaz: que outro bilionário ignorado pela Forbes, mais escondido que o gato de Man — que não tem rabo para deixar de fora — dispõe de R$ 5 bilhões em moeda sonante para torrar em bets? Só mesmo o amigão de Flávio.
E tudo isso, se notarem bem, está passando por setores da grande imprensa como coisa normal. Tão normal como as conversas fesceninas de Alexandre Santini sobre as folias de Flávio com as moças ou como o Rolex que o agora candidato ganhou de outro “brother”, o advogado Alan Belaciano, segundo reportagem do PlatôBr.
Em todo caso, vou refazer a varredura com os “meus bilionários”. Vai que haja algum outro viciado em jogo, com risco de perder R$ 163 milhões em um ano. Certamente precisará do meu conselho, não é mesmo? É bem verdade que, reitero, estes de que falo são banqueiros, industriais, mineradores, agropecuaristas… Nenhum deles é apenas um advogado e “amigo-irmão” de Flávio.


