No primeiro Natal em que fez encomendas na cozinha do apartamento, Silvia Mocelini produziu 18 bolos. Entre um preparo e outro, precisava descer as escadas do prédio sem elevador para entregar os pedidos aos clientes e subir tudo de novo. Imagine isso sendo feito 18 vezes.A cozinha de casa acomodou a produção durante dois Natais. No terceiro ano, ela decidiu que precisava de um espaço separado para trabalhar, em Chapecó, no oeste de Santa Catarina.O plano era abrir uma cafeteria. Silvia chegou a contratar um arquiteto para desenhar o espaço, mas começou pela cozinha, com algumas mesinhas na frente. Aos poucos, o cardápio ganhou pão de queijo, torradas e omeletes para atender quem trabalhava nas empresas da vizinhança. Os bolos continuavam entrando na agenda. Depois de pouco mais de um ano tentando dar conta de tudo, um Dia das Mães cheio de encomendas fez a confeiteira encerrar o atendimento de cafeteria e ficar com os bolos e doces. “Quase enlouqueci”, conta sobre aquele período.Hoje, o pão de mel ocupa espaço garantido na agenda de Silvia. A venda média é de 800 unidades por semana. Às vezes, falta. As tortas doce chegam a 40 ou 50 encomendas no fim de semana, além dos bolos preparados para casamentos. O pão de mel nasceu de uma receita recebida de uma fornecedora. Silvia foi alterando o preparo até chegar ao sabor que queria. Eu provei ele recém saído do forno. É um pão de ló com uma maciez incrível.Em outros momentos, buscou cursos para aprender técnicas específicas. Em 2013, fez um de decoração com bicos de confeitar. Em 2020, foi a Florianópolis estudar bolos de andares. As receitas e os recheios também foram sendo ajustados com testes na própria cozinha.Silvia cresceu em Caxambu do Sul (SC) e aprendeu a cozinhar com a família. Nas festas do interior, cada casa doava alguma coisa para ser vendida e ajudar na arrecadação. A contribuição da família dela eram os bolos. Silvia queria participar do preparo com a mãe e guarda a lembrança de que eles estavam entre os primeiros a sair. As pessoas chegavam procurando pelo bolo de quem já conheciam. Na família, a cozinha também era trabalho. As tias faziam pães, cucas, bolachas e bolos para vender em casa, sem estabelecimento aberto ao público. Silvia conta que todas ajudaram a criar os filhos com essa produção. Sua mãe preparava em casa o que a família comia. Foi nesse convívio que ela começou a aprender, muito antes de escolher a confeitaria como ocupação.Na família, a cozinha também era trabalho. As tias faziam pães, cucas, bolachas e bolos para vender em casa, sem estabelecimento aberto ao público. Silvia conta que todas ajudaram a criar os filhos com essa produção. Sua mãe preparava em casa o que a família comia. Foi nesse convívio que ela começou a aprender, muito antes de escolher a confeitaria como ocupação.A mudança para Chapecó aconteceu aos 17 anos. Na cidade, Silvia trabalhou como doméstica, passou anos lavando carros, trabalhou com vendas de pneus e baterias e chegou ao setor financeiro de uma empresa. Também teve uma passagem de aproximadamente oito meses pelo balcão de uma padaria, antes do nascimento da filha. A dona era prima de sua mãe. Quando não havia clientes para atender, Silvia ia aos fundos ajudar no preparo dos bolos. As primeiras vendas aos colegas foram de bolachas caseiras e pão de mel. O bolo entrou na rotina por causa de um costume da empresa em que trabalhava, já que o aniversariante levava um para dividir com os demais. Por volta de 2012, Silvia preparou o seu. Os colegas gostaram e passaram a pedir que ela fizesse os bolos dos outros aniversários. Ela começou a publicar fotos, vieram novos interessados e as encomendas passaram a ocupar as noites, depois do expediente.Quando decidiu sair da cozinha do apartamento, Silvia não montou de uma vez a cafeteria desenhada pelo arquiteto. A ideia era pagar a cozinha antes de avançar no restante do projeto. “Eu vou começar devagarinho”, recorda. As mesas vieram junto com o atendimento, mas a variedade de pedidos passou a disputar seu tempo com os bolos. Depois daquele Dia das Mães, concentrou o trabalho na confeitaria e passou a receber encomendas para mais eventos e casamentos.No dia da nossa conversa, Silvia tinha uma encomenda de 500 pães de mel para um evento em Chapecó e a produção de 700 doces para um casamento na manhã seguinte. Os pedidos de casamento variam entre bolos de andares e bolos de corte, que ficam refrigerados até a hora de servir.Ela tem uma ideia bastante definida do que deseja oferecer. Ao explicar o cardápio, ela reforça que não faz bolos de modinha, nem bolos com ingredientes industrializados. Leite condensado, creme de leite e chocolate entram nas receitas. Recheios comprados prontos, não.O atendimento também passa por ela. Silvia envia o cardápio, conversa sobre o pedido e combina a decoração. Há quem procure um bolo personalizado e quem prefira o glacê caseiro, preparado com claras aquecidas e batidas. Ela acompanha essas escolhas antes de começar a produção. “Eu sei para quem que eu estou fazendo e tudo sai do jeito que o cliente quer”, diz.Embora o pão de mel lidere as vendas, são as tortas que Silvia mais gosta de fazer e de comer. Uma das receitas que destaca nasceu de um pedido para um casamento com 300 convidados. A noiva queria algo diferente e deixou a escolha com a confeiteira. Foram 30 quilos de bolo, além das tortas.A torta leva pão de ló, creme suíço com sabor de baunilha e outro recheio de quatro leites com nozes. Silvia a recomenda às noivas que pedem uma sobremesa de doçura menos acentuada. Quando fala de realização, Silvia faz uma ressalva que não costuma aparecer nas legendas de produtos prontos. “Eu sou realizada.” Ela gosta do trabalho e de entregar o bolo personalizado a quem o encomendou.Silvia me contou que tiraria as primeiras férias em seis anos. “Eu sou realizada”, diz sobre o trabalho. Fiquei pensando naquela funcionária de padaria que esperava o balcão ficar sem clientes para correr aos fundos e ajudar na produção dos bolos.Anos depois, no próprio negócio, Silvia já não precisa esperar uma brecha no atendimento para ir fazer o que gosta. É ela quem decide o que quer fazer.✅Para saber tudo do mundo dos famosos, siga o canal de entretenimento do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp





















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